Em poucas linhas, o que este artigo responde
TUSS é a tabela única de procedimentos em saúde suplementar — códigos padronizados que toda operadora exige no faturamento TISS.
Para laboratórios, a TUSS contém cerca de 4.500 códigos de análises clínicas e procedimentos correlatos, atualizados pela ANS periodicamente.
O que é a Tabela TUSS
A TUSS — Terminologia Unificada da Saúde Suplementar é o conjunto de códigos padronizados de procedimentos, materiais, medicamentos e taxas usados no faturamento entre prestadores de serviço (laboratórios, clínicas, hospitais) e operadoras de planos de saúde no Brasil. É mantida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e é obrigatória no padrão TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar).
Para o laboratório clínico, a TUSS contém os códigos das análises clínicas (hemograma, glicose, perfil lipídico, sorologias, biologia molecular etc.) e dos procedimentos relacionados (coleta, taxa de urgência, fator de complexidade). Sem TUSS correta, o laboratório não fatura — ponto.
A TUSS substituiu a antiga prática de cada operadora ter sua própria tabela proprietária. Hoje há um vocabulário comum, e isso é o que permite faturamento eletrônico TISS escalar.
TUSS, TISS e CBHPM: as 3 tabelas que se confundem
| Sigla | O que é | Quem mantém |
|---|---|---|
| TISS | Padrão de troca de informações (formato, layout, regras de envio) | ANS |
| TUSS | Terminologia/códigos dos procedimentos usados dentro do TISS | ANS |
| CBHPM | Classificação brasileira hierarquizada de procedimentos médicos, com valores referenciais | AMB e entidades médicas |
Em uma frase: TISS é o envelope, TUSS é o vocabulário dentro do envelope, CBHPM é uma referência de valor que pode ou não ser usada na precificação. Operadora não exige CBHPM no envio — exige TUSS. Mas CBHPM costuma ser usada como base para negociação de tabelas próprias entre laboratório e operadora.
Tratamos a relação de preço entre as três em detalhe em CBHPM e TUSS na precificação laboratorial.
Estrutura do código TUSS para análises clínicas
Códigos TUSS de análises clínicas começam com 4 e têm 8 dígitos:
- 4.03.xx.xxx-x — Análises clínicas (a maioria dos exames laboratoriais).
- 4.06.xx.xxx-x — Anatomia patológica e citopatologia.
- 4.13.xx.xxx-x — Genética.
- 2.01.xx.xxx-x — Procedimentos não-laboratoriais (coleta, taxa).
Exemplos de exames de alta rotina:
- Hemograma completo — 40302040
- Glicose — 40301287
- TSH — 40316023
- Colesterol total — 40301260
- HDL — 40301279
- Triglicerídeos — 40301309
- Creatinina — 40301279
Atenção: a ANS publica atualizações periódicas. Códigos podem ser inativados, substituídos ou fundidos. Trabalhar com TUSS de 2 anos atrás é causa garantida de rejeição no XML TISS.
Onde consultar e baixar a TUSS atualizada
Fontes oficiais — sempre prefira a fonte primária:
- Portal ANS — Tabela TUSS: ans.gov.br. Publica a versão vigente em XLSX e XML, com histórico de mudanças.
- Portal TUSS (privado, gratuito): portaltuss.com.br — busca rápida por código ou descrição.
- iClinic TUSS: ferramenta de busca pública mantida pela iClinic.
Para uso em produção, o laboratório precisa incorporar a TUSS no LIS ou no sistema de faturamento — não basta consulta pontual. A TUSS vira tabela referencial vinculada ao catálogo de exames, atualizada a cada release da ANS (em geral 2 a 4 por ano).
Como mapear o catálogo de exames do laboratório à TUSS
Esta é a etapa que mais economiza glosa no médio prazo. Procedimento:
- Exporte o catálogo de exames do LIS — códigos internos, nomes técnicos, sinônimos comerciais.
- Faça correlação 1:N para TUSS — alguns exames internos correspondem a um único código TUSS, outros têm variações por metodologia (por exemplo, hemoglobina glicada por HPLC vs cromatografia tem códigos diferentes).
- Valide por operadora — algumas operadoras pedem TUSS específica para determinada metodologia ou exigem código de "fator de complexidade" associado. Cadastre por convênio.
- Marque exames "fora do rol ANS" — esses não têm TUSS oficial, mas precisam de código local acordado com a operadora.
- Aplique versionamento — guarde histórico de mudança de mapeamento (quando, quem, por quê). Necessário em recurso de glosa.
Um catálogo de laboratório médio tem 800 a 1.500 exames mapeados; um laboratório de apoio chega a 4.000. Esse trabalho não pode ser pontual — vira processo contínuo.
Faturamento TISS XML 4.x: o que mudou e por que importa
O padrão TISS está hoje na versão 4.x (4.00, 4.01, 4.02 conforme calendário ANS). As versões 3.x estão obsoletas para faturamento eletrônico desde 2023 — operadoras rejeitam envios em 3.x.
Principais mudanças que afetam laboratório:
- Validações automáticas mais rígidas: TUSS desatualizada gera erro pré-envio.
- Justificativa clínica obrigatória para exames de alta complexidade.
- Campos novos: identificação do executante por exame, identificação de profissional solicitante, tipo de atendimento.
- Anexo OPME-Quimio-Outros: estruturação diferente.
- Lote menor: muitas operadoras passaram a rejeitar lotes muito grandes.
Laboratórios que usam LIS antigo com módulo TISS proprietário tendem a sofrer com cada release. A saída tem sido middleware de faturamento (concentradora ou software dedicado) que abstrai o LIS da versão TISS vigente.
As 8 causas de glosa TUSS/TISS mais comuns
- Código TUSS inativo ou substituído — laboratório envia código que a ANS já desativou.
- TUSS divergente da regra da operadora — operadora exige código específico para a metodologia praticada.
- Falta de autorização prévia — exames de alta complexidade enviados sem guia prévia.
- Justificativa clínica ausente — exigida no padrão 4.x para procedimentos específicos.
- Quantidade incompatível — quantidade enviada acima do permitido por evento clínico.
- Duplicidade no período — exame faturado mais de uma vez no prazo de carência clínica.
- Identificação do executante incorreta — código de profissional inválido ou inativo.
- Lote fora do prazo de envio — envio depois da janela contratual da operadora.
Por causa: as duas primeiras (TUSS errada ou divergente) respondem por mais de 35% do volume glosado. Investir em tabela TUSS sempre atualizada e em mapeamento por convênio paga sozinho qualquer gestão de glosa madura.
Concentradoras de pagamento: integrar ou não?
Concentradoras (Orizon, TempoAssist, Health Pay, Pixeon Pay) são plataformas que atuam entre laboratório e operadora, centralizando envio TISS, validação prévia, conciliação de pagamento e recurso de glosa.
Vantagens:
- Validação pré-envio reduz rejeição imediata.
- Conciliação automática entre faturado, autorizado, pago, glosado.
- Trilha única para várias operadoras.
- Atualização TISS/TUSS gerenciada pelo fornecedor.
Desvantagens:
- Custo por evento (centavos por guia somam rápido em volume).
- Nem toda operadora aceita todas as concentradoras.
- Camada extra a depurar quando há divergência.
Regra prática: para laboratórios com mais de 5 convênios ativos e volume mensal acima de ~5.000 guias, concentradora costuma se pagar. Para volumes menores, faturamento direto bem feito sai mais barato.
Indicadores de saúde do faturamento TISS
| Indicador | O que mede | Faixa saudável |
|---|---|---|
| Taxa de glosa bruta | Valor glosado ÷ valor faturado | < 5% |
| Taxa de glosa não recuperada | Valor glosado sem recurso bem-sucedido ÷ faturado | < 1,5% |
| Tempo médio de pagamento (DSO) | Dias entre envio e crédito | 30 a 60 dias por operadora |
| Taxa de rejeição pré-envio | Guias rejeitadas pela validação TISS antes do envio | < 2% |
| Taxa de recurso de glosa | % de glosas com recurso interposto | > 80% das glosas elegíveis |
| Taxa de sucesso em recurso | % de recursos com recuperação total ou parcial | > 50% |
Sem esses indicadores medidos por convênio (não só no agregado), o gestor não consegue priorizar reuniões, renegociações e ajustes operacionais. Voltamos a esse tema em detalhe em Gestão de glosa em laboratórios.
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