Em poucas linhas, o que este artigo responde
Custo unitário tem 3 camadas: direto variável, direto fixo e indireto rateado.
A maioria dos laboratórios calcula só a 1ª e descobre tarde o prejuízo das outras.
As 3 camadas do custo unitário
Pense em um hemograma. Para fazê-lo de verdade, o laboratório consome:
- Camada 1 — direto variável: tubo, agulha, reagente, controle interno proporcional, etiqueta.
- Camada 2 — direto fixo: equipamento (depreciação ou aluguel mensal dividido pelo volume), manutenção, calibração, contrato com fornecedor.
- Camada 3 — indireto rateado: recepção, coleta, TI, coordenação técnica, área física, energia, faturamento.
O custo verdadeiro é a soma das 3. Quem ignora a 2ª e 3ª camada acha que tem margem confortável e descobre o erro no fim do trimestre.
Como apurar custos diretos
Os custos diretos saem da nota fiscal de insumos e do contrato de equipamento. O que muda em laboratórios maduros é a precisão:
| Item | Como apurar |
|---|---|
| Reagente | Custo do kit ÷ número de testes do kit, descontando perdas reais (5–15%). |
| Controle interno | Custo mensal de controles ÷ volume mensal de exames daquela bancada. |
| Equipamento | Aluguel mensal (ou depreciação) ÷ volume real do mês — não capacidade teórica. |
| Manutenção | Contrato anual ÷ 12 ÷ volume mensal. |
Atenção: usar capacidade teórica do equipamento em vez do volume real é o erro #1 — subestima custo unitário em equipamentos subutilizados, escondendo prejuízo.
Como ratear custos indiretos
Indiretos são todos os custos que não pertencem a um exame específico, mas existem porque o laboratório existe: aluguel, energia, recepção, TI, coordenação técnica, faturamento, marketing.
Critérios comuns de rateio:
- Por volume de exames (mais simples e mais usado).
- Por receita gerada (favorece exames de alto ticket).
- Por tempo de bancada (mais justo em exames manuais e de alta complexidade).
O critério precisa ser defensável internamente. O que não pode é não ratear — porque aí o custo "some" e o exame parece mais lucrativo do que é.
Exemplo numérico de hemograma
| Componente | Valor (R$) |
|---|---|
| Reagente proporcional | 2,80 |
| Tubo + agulha + descartável | 1,40 |
| Controle interno proporcional | 0,60 |
| Equipamento (aluguel ÷ volume) | 1,90 |
| Manutenção e calibração | 0,30 |
| Indiretos rateados | 3,80 |
| Custo unitário total | 10,80 |
Se o convênio paga R$ 13 pelo hemograma, a margem é de 17% — antes de glosa. Se a glosa não recuperada é 5%, a margem real cai para ~12%. E aí decisões mudam.
Armadilhas comuns
- Usar capacidade teórica do equipamento em vez de volume real.
- Esquecer perdas de reagente (kits abertos não consumidos integralmente).
- Não ratear coleta domiciliar separadamente — distorce custo de exames coletados em casa.
- Não atualizar custos quando o fornecedor reajusta preço (recálculo deveria ser trimestral).
- Ignorar custo de glosa não recuperada como fator do custo total.
Quer aplicar isso no seu laboratório?
Agende uma apresentação do Labix Price e veja custo unitário, margem por convênio, simulação e gestão de glosa em um só lugar.